setembro 06, 2011

obrigada!


Escrever para mim é tão comum quanto fazer xixi ou escovar os dentes.
Sempre tenho caneta e papel por perto e quando não escrevo, rabisco.
Escrevo se estou feliz, se estou com raiva, se estou amando ou chorando. Quando estou muito triste, com vontade de morrer, a única coisa capaz de me fazer ter forças é escrever. Talvez seja uma terapia alternativa que desenvolvi, por conta de todos os abusos que sofri. Foi assim em vários momentos da minha vida e também assim quando vi minha filha morrer.
Tenho escrito muito nestes dias negros e sem sentido, mas nada que deva ser publicado.
Não sei o que fazer, nem por onde começar.
Tenho vontade de ficar em silêncio, no entanto me sinto em dívida com pessoas que tão docemente têm acalentado meus tristes dias. Pode parecer pouco, mas só quem já passou pelo que eu estou passando é que pode entender a diferença que faz receber um recadinho de quem a gente nem conhece, um abraço do vizinho, uma ligação de um amigo distante, a visita de uma pessoa querida, um presentinho de uma irmã, o carinho da mãe...
Na verdade, depois que se perde um filho as coisas perdem o sentido, porém estes pequenos gestos fazem com que a gente perceba que ainda está aqui e que a vida continua.
Nunca desisti, sempre fui destemida e enfrentei de cabeça erguida todas as batalhas que a vida me proporcionou, mesmo as que ainda não tiveram um desfecho. No entanto, nada se compara ao que me aconteceu.
Quando estava grávida, uma pessoa me perguntou o que eu queria que a Theodora tivesse igual a mim e eu respondi rapidamente que gostaria que ela tivesse a minha coragem. Coincidência ou não, ela foi corajosa e destemida durante cada segundo dos 57 dias em que viveu e por este motivo, não posso deixar de sê-lo agora.
São muitas emoções, muitas questões e muitas lágrimas.
Amanhã fará um mês que vivi o pior momento da minha vida e que sobrevivi ao meu maior medo.
Sou uma mãe com um buraco no peito, que ainda tem leite, que ainda precisa perder cinco quilos, que ainda não digeriu o que aconteceu, que ainda olha para o quarto vazio de sonhos, de móveis, de fraldas sujas, de brinquedos e de vida sem entender nada.
Sou uma mulher com saudade daquilo que é mais sagrado, daquilo que não pode viver e nem dar.
Espero lá no fundo da minha alma, que ela tenha podido sentir de alguma forma, o quanto a desejei e o quanto a amei, amo e amarei.
Só não me mato porque sei que não a encontrarei.
Por enquanto continuo aqui tentando sobreviver.
Obrigada pelo carinho, orações, energias positivas, palavras, enfim, obrigada a cada um de vocês que de alguma forma se faz presente neste momento tão difícil.
Minha casinha está bagunçada, o leite derramou no fogão e não tenho bolo quentinho para oferecer, mesmo assim é muito bom receber você aqui.
Bjinhos
Lyz

6 comentários:

  1. Lyz, não sei como é o que você está sentindo, mas imagino que deva ser uma dor imensa, mas pense que a Theodora quer muito te ver feliz novamente.
    Quando perdi meu pai perecia que a dor não ia passar nunca, sei que nem se compara a perda de um filho, mas hoje em dia, às vezes, consigo me lembrar dele sem chorar, mas confesso que é difícil, ainda mais que me casei recentemente, e ele não estava lá, meu bebê nasce agora em Janeiro e ele não estará lá, é triste...
    Forças que Deus te ilumine e te guie nessa "fase de adaptação".
    Bjus =*

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  2. Oi Lyz!
    Fico muito feliz por te ver aqui, nos dando notícias de você!
    Eu não te conheço e nem sei se um dia iremos nos conhecer, mas tenho uma profunda consideração por você.Antes disso tudo acontecer eu já me emocionava com seus textos, você se expressa muito bem, consegue transmitir o que sente.
    Chorei com seu texto de hoje, graças a Deus eu nunca passei por isso, mas imagino como você se sente, pois eu perdi uma irmãzinha por erro médico quando eu tinha 6 anos, e me marcou muito. Foi muito difícil pra minha família, mas graças a Deus superamos, claro é algo que sempre vai estar marcado em nosso íntimo, mas a vida continua. Não teremos a resposta de que porque estas coisas acontecem. Mas... a vida continua.
    E eu te acho realmente muito corajosa, e acredito que vai voltar a sentir alegria novamente. Afinal de contas, você tem um anjo lindo sempre olhando por você e que não tenho dúvidas de que ela sabe o quanto foi,é, e sempre será amada por você.
    Lyz, peço a Deus que continue te dando força e coragem pra passar por esta fase tão díficil.
    Fique com Deus Lyz.
    Beijos
    Sheila

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  3. Lyz só agora vi que vc tinha atualizado este cantinho, eu imagino e acho que sei a dor que estás sentindo pois sou mãe de 2 e sei que se acontecesse a eles, eu tb estarei com este buraco no peito esta dor sem fim. Se permita sentir tudo que vier aflorar em tua vida , mas seja corajosa para segurar esta fase e superar ou melhor conviver com esta perda.
    Sinto-me triste ao ler porque bem sei o quanto vc está sofrendo, esta nuvem escura está ai mas ela um dia vai passar, reze e peça a Deus conforto ao seu coração para que ele te faça voltar a sorrir de alguma forma... por vc , pelo seu esposo, pela sua família seja forte tá, um grande abraço
    Dani

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  4. Força amiga!!
    Já passei por situação parecida, perdi um bebê aos 3 meses de gestação, mas senti a mesma dor que vc ainda sente!
    Mas tudo passa! E meu desejo é que sua dor se abrande e q vc volte a sorrir novamente!!!
    bjkssss

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  5. Oi , vc naum me conhece, mas seu blog mexeu muito comigo. Te encontrei por acaso e acompanhei um pouco de sua gravidez, torci e orei por vcs ateh a ultima hora! Qndo me coloco no seu lugar, sofro junto com vc e peço a Deus pra te aliviar um pouco...porque esquecer, vc naum vai jamais!Só Deus pode curar seu coração...permita!!!
    Tenho este texto há muito tempo e ele me conforta qndo leio:
    "Minha vida é apenas um tear, entre mim e meu Deus.
    Eu não escolho as cores, Ele trabalha sem cessar.
    Muitas vezes Ele tece tristeza, e eu em tolo orgulho, esqueço que Ele vê o direito e eu o avesso.
    Só quando estiver silencioso o tear e as lançadeiras pararem de tecer, Deus abrirá o tecido e explicará as razões.
    Os fios escuros são tão necessários na habilidosa mão do tecelão, como os fios de ouro e prata no desenho que Ele planejou."
    (Anõnimo)
    Um abraço !!

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  6. Essa é a primeira vez que vejo seu blog. Estava procurando alguma imagem e cheguei até ele. Lys, sinceramente, meu coração e minha consciência me cobraram insistentemente para que eu te escrevesse algo. Procurei muito pelo seu e-mail, talvez para que as palavras fossem mais pessoais e diretas. Como não encontrei seu e-mail pessoal, estou te enviando pelo comentário mesmo. Peço a vc que não desista de nada, de viver, de sonhar, de ter outro filho, de amar ao próximo, nem a si mesma, pois Deus não desiste da gente. Mesmo diante da dor, louve e agradeça a Ele, por mais difícil que isso seja, tente agradecê-lo. Ele sabe de todas as coisas, ele conhece nossas dores e não permitiria que vc passasse por isso se não fosse o melhor pra Theodora. Ele devia estar precisando muito de um anjo e ela tinha o melhor perfil, naquele momento. Que Deus a abençoe, te guarde e conforte seu coração. A dor talvez diminua com o tempo, mas a saudade, essa fica pra sempre. Perdi meu pai há 15 anos e ainda choro de saudades dele. Sinta-se abraçada por mim. Obrigada pela oportunidade de encontrá-la e poder valorizar a minha vida. Meu nome é Fernanda Lafetá, meu e-mail felafeta@gmail.com.

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fico feliz quando leio o seu recadinho...
obrigada!