maio 17, 2009

gosto MUITO...

Outro dia estava tentendo lembrar de onde vem a minha paixão pelo Mário Quintana e aí me veio a mente uma edição da revista Capricho que veio recheada de citações deste poeta maravilhososo, nesta época a editora da revista era a Mônica Figueiredo e sinceramente a revista era muito mais inteligente que hoje (na minha humilde opnião de leitora apaixonada). Acredito que esta edição tenha sido publicada em 1994, ano da morte dele, porém não tenho certeza, mas consegui lembrar da sensação maravilhosa de ler cada uma das linhas escritas por ele... A paixão pela Capricho passou porque cresci, porém a admiração por tudo que o Mário escreveu só aumenta...


Nome: Mario Quintana
Nascimento:30/07/1906
Natural:Alegrete - RS
Morte:05/05/1994

"Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não astava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras."
(Mário Quintana)


"No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo,
um carinho no momento preciso,
o folhear de um livro de poemas,
o cheiro que tinha um dia o próprio vento..."
(Mário Quintana)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

fico feliz quando leio o seu recadinho...
obrigada!